Agricultor cearense pode ter descoberto poço de petróleo ao perfurar em busca de água no interior do Ceará

Líquido semelhante a petróleo foi descoberto em propriedade de Tabuleiro do Norte (CE). Meses após ser notificada, a Agência Nacional do Petróleo disse que vai apurar o caso. Foto: Reprodução/via G1

O agricultor Sidrônio Moreira, de 70 anos, pode ter encontrado petróleo em sua propriedade rural no município de Tabuleiro do Norte, no Vale do Jaguaribe (CE), a 210 km de Fortaleza. Ele contraiu um empréstimo de R$ 15 mil para perfurar um poço artesiano em novembro de 2024, na esperança de resolver a falta de água encanada na localidade de Sítio Santo Estevão. Em vez de água, um líquido escuro e viscoso emergiu, e testes preliminares indicam que pode ser petróleo. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que investiga o caso desde fevereiro de 2026.

A família Moreira vive sem abastecimento regular de água e depende de carro-pipa, especialmente na seca. Um vídeo gravado durante a perfuração mostra Sidrônio comemorando o surgimento do líquido aos 30 metros de profundidade, achando que era água. "Meu pai até comemorou, mas depois não saiu nada de água", relatou o filho Saullo Moreira, gerente de vendas, ao g1.

Após a decepção com o primeiro poço – que não produziu água nem um segundo, mais raso, de 20 metros –, a família coletou amostras do líquido viscoso, de odor similar ao de óleo automotivo. Em junho de 2025, Saullo levou o material ao Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Tabuleiro do Norte. O engenheiro químico Adriano Lima, agente de inovação do campus, analisou a amostra no Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Ufersa, em Mossoró (RN).

Substância extraída em Tabuleiro do Norte (CE) foi levada para estudo em laboratório no Rio Grande do Norte. Foto: Divulgação/via G1

Os testes físico-químicos revelaram que o líquido tem densidade, viscosidade, cor e cheiro compatíveis com petróleo da Bacia Potiguar, área vizinha entre Ceará e Rio Grande do Norte. A propriedade fica a apenas 11 km do bloco de exploração mais próximo, embora Tabuleiro do Norte não integre áreas leiloadas. "É um hidrocarboneto similar ao das jazidas regionais", confirmou Adriano. No entanto, só um laboratório credenciado pela ANP pode oficializar a descoberta.

A família e o IFCE notificaram a ANP em julho de 2025, mas a resposta veio só em fevereiro deste ano. O órgão afirmou ao g1 que avaliará o subsolo, o poço e a composição química, além de acionar o órgão ambiental competente – sem detalhes sobre prazos ou medidas.

A possível jazida não garante exploração econômica. Mesmo confirmada, a ANP delimitaria blocos para leilão, mas fatores como volume, qualidade do óleo, custos ambientais e logística no semiárido podem afastar investidores. "O retorno precisa compensar os custos de operação na Chapada do Apodi", avalia o pesquisador Adriano Lima.

Enquanto isso, a família segue sem água e na incerteza. Perfurações adicionais foram suspensas por medo de contaminação do lençol freático pelo óleo. "Queríamos água para os animais do meu pai idoso. Se for petróleo, que resolvam rápido para gerar renda e comprar carro-pipa", disse Saullo. A esperança agora é que a investigação da ANP esclareça o futuro da propriedade.

Fonte: g1.globo.com

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