![]() |
| Revisão do caso revelou manipulações e confissões forçadas; filho de Walker expressa alívio pela exoneração. Foto: Reprodução/Redes sociais/via UOL |
Sete décadas após ser enviado à cadeira elétrica, Tommy Lee Walker teve sua inocência oficialmente reconhecida pela Justiça do Texas na última quarta-feira (21). O Tribunal de Dallas classificou a condenação e execução do homem, ocorridas na década de 1950, como "profundas injustiças".
O caso, marcado por racismo sistêmico e manipulação policial, foi revisado após uma força-tarefa entre a Promotoria do Condado de Dallas, o Innocence Project e a Universidade Northeastern.
Em 1953, Venice Parker foi agredida e morta nas proximidades do aeroporto Dallas Love Field. Na época, embora a vítima estivesse impossibilitada de falar devido aos ferimentos na garganta, um policial alegou que ela teria identificado o agressor como um homem negro.
A investigação foi liderada por Will Fritz, então chefe de homicídios e apontado como membro da Ku Klux Klan. Walker, que tinha 19 anos, foi preso quatro meses depois, apesar de possuir um álibi sólido: dez testemunhas confirmaram que ele estava no hospital acompanhando o nascimento de seu filho no momento do crime.
A condenação baseou-se em confissões obtidas sob tortura psicológica e ameaças. Segundo o Innocence Project, as declarações assinadas por Walker continham erros factuais e foram manipuladas para se ajustarem à cena do crime.
O caso esteve nas mãos do promotor Henry Wade, cujo histórico revela ao menos 20 condenações injustas de homens negros. Durante o processo, Wade teria ocultado evidências que favoreciam o réu, apresentado falsidades como fatos e chegado ao ponto de testemunhar contra Walker para reforçar a tese de culpa.
Mesmo com a promessa policial de que uma confissão evitaria a pena capital, Walker foi executado em 1956. A resolução aprovada nesta semana pelo Conselho de Comissários de Dallas limpa o nome de Walker, mas não apaga o trauma familiar.
"Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe que ele era inocente", desabafou Edward Smith, filho de Walker, que nasceu na noite do crime.
Fonte: noticias.uol.com.br
