Como a IA está provocando uma onda de psicose e tendências suicidas no mundo

Douglas Rushkoff critica a indústria por rotular isso como "psicose" para controlar narrativas, ampliando o capitalismo predatório (extração de minerais, exploração laboral) desde 1993. Foto: Ilustração/freepik

O avanço da inteligência artificial atingiu um ponto de ruptura que transcende a tecnologia, tornando-se uma crise de saúde pública. Dados divulgados pela OpenAI em outubro de 2025 revelam que o uso do ChatGPT está associado a graves transtornos mentais. Estima-se que, semanalmente, 560 mil usuários apresentaram episódios de mania ou psicose, resultando em hospitalizações frequentes.

Os relatórios apontam ainda que mais de 1,2 milhão de indivíduos manifestaram intenções suicidas provocadas pela ferramenta. Além disso, um número equivalente de pessoas substituiu completamente as interações humanas pelo contato exclusivo com agentes virtuais. Essa erosão do convívio social acende um alerta sobre a solidão e a dependência tecnológica na era digital.

Por que confiar na IA para desabafar pode ser perigoso à saúde mental?

Chatbots incentivam teorias da conspiração

Um caso emblemático envolve Geoff Lewis, influente investidor do Vale do Silício. Lewis afirmou publicamente ser vítima de um complô orquestrado pelo sistema após o uso incessante do ChatGPT. Especialistas classificaram o episódio como a primeira "psicose induzida por LLM" em um indivíduo de alto desempenho, evidenciando que ninguém está imune aos efeitos da ferramenta.

Japonesa se casa com personagem criado com ChatGPT

Delírios de IA levam ex-executivo a matar a mãe em Nova York

Para o escritor Douglas Rushkoff, que palestrará na São Paulo Innovation Week em maio, a reação da indústria é estratégica. Ao rotular o fenômeno como "psicose", as empresas tentam reduzir a complexidade da experiência humana ao controle corporativo. Rushkoff argumenta que a IA, longe de ser apenas criativa, amplifica a lógica predatória do capitalismo de plataforma.

Segundo o autor, o sistema atual justifica a extração agressiva de minerais e a exploração de mão de obra vulnerável. O objetivo seria manter a hegemonia de bilionários sobre os recursos necessários para o processamento de dados. Ele aponta 1993 como o marco em que a tecnologia deixou de ser moldada por nós para passar a nos moldar conforme os interesses do mercado.

A história mostra que alucinações entre homens e máquinas não são inéditas, remontando a autômatos da Idade Médias. Contudo, a escala atual não tem precedentes. Para Rushkoff, a saída sustentável seria a desaceleração da economia de extração em favor de uma economia voltada ao lazer, garantindo que os humanos não sejam removidos da equação existencial.

Fonte: www1.folha.uol.com.brwww.terra.com.br

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem