| Entenda a complexidade da ameaça e quais os riscos de reflexos no território nacional. Foto: Ilustração/Freepik |
A recente escalada no conflito entre Irã e Israel tem gerado apreensão global, principalmente pela possibilidade de uso de armas nucleares. Essa preocupação é compreensível, dado o poder destrutivo desses artefatos, que no passado devastaram cidades como Hiroshima e Nagasaki, resultando em centenas de milhares de mortes.
A Tensão Nuclear no Oriente Médio
O cerne da disputa entre Irã e Israel reside nas atividades nucleares iranianas. Há mais de três décadas, Israel acusa o Irã de desenvolver armas atômicas, o que violaria o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), um acordo internacional assinado por 191 países. O Irã, por sua vez, nega essas acusações, afirmando que seus investimentos nucleares são exclusivamente para fins civis, como a geração de energia elétrica.
A situação atingiu um ponto crítico no dia 12 de junho, quando o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) notificou o Irã por falta de cooperação com seus inspetores. Em resposta, o Irã anunciou a construção de uma terceira instalação de enriquecimento de urânio, com planos de ativá-la em breve.
O impacto no Brasil em caso de conflito nuclear
A possibilidade de um conflito nuclear no Oriente Médio levanta questões sobre a segurança de outros países, incluindo o Brasil. No entanto, especialistas como Claudio Schön, pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), esclarecem que uma explosão nuclear no Hemisfério Norte não afetaria diretamente o Hemisfério Sul.
"O Equador mantém as coisas em seus hemisférios. Então, uma explosão nuclear acontecendo no Norte não vai provocar efeito no Sul", explica Schön em entrevista à revista Galileu. Ele ressalta que países do Hemisfério Norte já realizaram inúmeros testes atômicos, inclusive ao ar livre, sem que houvesse qualquer problema no Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil tem acompanhado a situação com preocupação. Em nota no dia 13 de junho, condenou a ofensiva aérea israelense contra o Irã, alertando que os ataques "ameaçam mergulhar toda a região em conflito de ampla dimensão, com elevado risco para a paz, a segurança e a economia mundial". A pasta também informou que está monitorando a situação de seus nacionais em Israel.
| Mesmo com dados sigilosos é possível que ambos os lados tenham armamento nuclear. Foto: Ilustração/Freepik(@pch.vector) |
Estimativas dos arsenais nucleares
Por outro lado, Israel, que não é signatário do TNP e, portanto, não é investigado por posse ou produção de armas nucleares, possui um arsenal estimado em cerca de 90 ogivas ativas, com material suficiente para construir mais 200 bombas atômicas, segundo a Associação para o Controle de Armas e informações do O Globo.
Mesmo sem confirmações oficiais, é possível que ambos os lados apresentem um acervo de armas nucleares.
Fonte: revistagalileu.globo.com