Governo Trump publica vídeo de bombardeios com "pontuação por mortes"

A fronteira entre a realidade brutal da guerra e o entretenimento digital tornou-se perigosamente tênue em 4 de março de 2026. Em uma publicação oficial no X (antigo Twitter), a Casa Branca divulgou um vídeo da Operação Epic Fury que utiliza a estética do jogo Call of Duty: Modern Warfare III para exibir bombardeios reais em território iraniano.

A montagem, de aproximadamente um minuto, começa com um soldado acionando um ataque aéreo através de um tablet — uma referência direta às sequências de killstreak (recompensa por mortes acumuladas) comuns em jogos de tiro [4, 5]. O que se segue é uma edição frenética onde imagens de satélite e câmeras térmicas mostram mísseis atingindo alvos no Irã. A cada explosão, a interface sobrepõe um ícone de "+100 pontos", simulando a pontuação por morte confirmada em ambientes virtuais.

Casa Branca posta montagem de ataques ao Irã inspirada em videogame e com 'pontuação por mortes' em 4 de março de 2026. Foto: Reprodução/X/via G1

A legenda, "Courtesy of the Red, White & Blue" (Cortesia do Vermelho, Branco e Azul), reforça o tom nacionalista e agressivo da peça publicitária militar.

Este não é um caso isolado. Sob a administração de Donald Trump, a comunicação oficial dos EUA passou por uma transformação radical. Analistas apontam que o governo tem utilizado memes e ícones da cultura pop — de Homem de Ferro a Bob Esponja e GTA — para higienizar a violência militar e torná-la "palatável" para o público jovem. O objetivo seria conquistar o apoio da Geração Z, habituada ao consumo rápido de vídeos e à linguagem dos eSports.

A recepção, no entanto, foi marcada por horror e críticas severas. Enquanto o vídeo acumulava dezenas de milhões de visualizações, grupos de direitos humanos e terapeutas denunciaram a "gamificação" da morte. Segundo dados recentes, a ofensiva no Irã já resultou em mais de 1.100 mortes, incluindo um número significativo de civis e crianças.

"Transformar a aniquilação de seres humanos em um espetáculo de '+100 pontos' é uma desconexão perversa da realidade", afirmaram críticos de ética militar. Para especialistas em psicologia, essa abordagem banaliza o sofrimento e ignora o trauma psicológico gerado por conflitos reais, tratando o campo de batalha como um cenário de entretenimento desprovido de consequências.

Apesar do rechaço internacional, a Casa Branca mantém a estratégia, sinalizando que a "estética gamer" é agora uma ferramenta central na propaganda de guerra dos Estados Unidos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.brwww.washingtonpost.comg1.globo.com

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