![]() |
| Cientistas russos estão desenvolvendo um "biodrone" utilizando pombos controlados através de dispositivos eletrônicos implantados no cérebro. Foto: Ilustração/Freepik (wirestock) |
Muito além da imagem de símbolo da paz ou de praga urbana, os pombos podem ganhar um novo papel estratégico na tecnologia aeroespacial. A empresa russa de neurotecnologia Neiry anunciou, no fim de 2025, um projeto que prevê o uso de aves equipadas com implantes cerebrais para realizar missões de monitoramento e vigilância. A iniciativa surge como uma alternativa de baixo custo aos drones convencionais, explorando o potencial dos animais como “drones vivos” em ambientes urbanos e militares.
Segundo a companhia, os animais podem ser guiados à distância por estímulos neurais, carregando um pequeno dispositivo eletrônico acoplado ao corpo e rastreado por GPS. Os eletrodos implantados no cérebro são conectados a esse equipamento, que concentra os componentes responsáveis por receber comandos, registrar a localização e manter comunicação com uma central de controle. O sistema, afirma a Neiry, pode ser alimentado por painéis solares instalados no próprio conjunto.
O direcionamento das aves ocorreria por meio de pulsos elétricos aplicados em áreas específicas do cérebro, capazes de induzir respostas motoras ligadas à orientação espacial. Dessa forma, seria possível alterar rotas durante o voo sem recorrer a comandos de rádio, como nos drones tradicionais.
Em reportagem publicada em 26 de novembro de 2025, o site Meduza descreveu o projeto como um sistema em que operadores definem trajetórias e ajustam o deslocamento das aves por neuromodulação. A empresa sustenta que não há necessidade de treinamento prévio após o implante, já que os comandos seriam transmitidos diretamente ao sistema nervoso. O rastreamento é feito em tempo real por GPS e outros métodos de posicionamento, permitindo ajustes contínuos da rota planejada.
A Neiry afirma que as cirurgias são realizadas com técnicas de alta precisão, utilizando equipamentos estereotáxicos para atingir regiões específicas do cérebro. O objetivo declarado seria minimizar riscos e preservar as funções naturais das aves. A empresa garante que os pombos poderiam levar uma vida considerada normal após o procedimento, sem impacto significativo na expectativa de vida.
No entanto, até o momento, não foram identificados estudos independentes ou relatórios técnicos que detalhem metodologia, número de animais envolvidos ou indicadores de bem-estar. As informações disponíveis se baseiam em declarações da própria empresa e em repercussões na imprensa internacional.
Nos materiais divulgados, a Neiry sugere que os “biodrones” poderiam ser usados em vigilância de infraestruturas (linhas de energia, instalações industriais, áreas de difícil acesso); inspeções ambientais; operações de busca e salvamento e observação urbana.
A empresa destaca como vantagens a maior autonomia de voo em relação aos drones convencionais, aproveitando a capacidade natural das aves de percorrer longas distâncias, além da baixa visibilidade em ambientes urbanos. O uso de energia solar nos dispositivos também seria um fator para prolongar o tempo de operação.
Por outro lado, não há dados independentes sobre desempenho, confiabilidade, custos, taxa de falhas ou impacto do equipamento na aerodinâmica das aves.
O fundador da Neiry, Alexander Panov, declarou que a tecnologia não se limita a pombos. Segundo ele, corvos poderiam ser usados para transportar cargas mais pesadas, gaivotas para monitoramento costeiro e albatrozes para grandes áreas marítimas.
A empresa afirma que o projeto está em fase avançada de desenvolvimento e pretende iniciar aplicações experimentais em setores que exigem monitoramento prolongado. A Neiry também informou ter recebido apoio do Fundo da Iniciativa Tecnológica Nacional da Rússia e apresentou a proposta em eventos voltados a sistemas não tripulados.
Apesar da divulgação, permanecem dúvidas sobre o estágio real da tecnologia, os critérios de validação e o grau de controle efetivamente alcançado sobre o comportamento das aves.
Fonte: clickpetroleoegas.com.br
