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| Ferido ficou no meio de cadáveres no necrotério da cidade de Kahrizak, afirmou entidade de defesa dos direitos humanos. Foto: AFP/via Extra |
Um manifestante iraniano ferido sobreviveu a um cenário de horror ao se fingir de morto durante três dias dentro do centro de medicina-legal de Kahrizak, na província de Teerã. O relato, divulgado nesta quarta-feira (21) pelo Centro de Documentação de Direitos Humanos do Irã (IHRDC), detalha que o homem buscou evitar o que chamou de "tiro de misericórdia" por parte das forças de segurança do regime teocrático.
O indivíduo teria sido baleado durante a violenta repressão estatal que atingiu o país nas últimas semanas. Temendo ser executado sumariamente caso fosse descoberto com vida pelas autoridades, ele permaneceu imóvel sob um lençol de plástico, cercado por cadáveres, sem acesso a água ou comida.
A localização do sobrevivente ocorreu após uma busca incansável de sua família. Segundo o IHRDC, os familiares percorreram hospitais e o cemitério de Behesht Zahra até chegarem à unidade de Kahrizak, motivados por imagens de corpos de manifestantes que circulavam de forma clandestina na internet.
A confirmação plena do episódio enfrenta obstáculos devido ao rigoroso controle estatal e ao apagão digital imposto pelo governo iraniano, o que impede uma checagem independente dos fatos. Embora o IHRDC mantenha a apuração em curso, o cerco informativo limita a verificação minuciosa dos detalhes. Sabe-se apenas que o sobrevivente, que não teve a identidade revelada, foi encaminhado a um hospital após o resgate.
O centro de Kahrizak é historicamente conhecido por denúncias de abusos e torturas contra detentos políticos no Irã. Este novo episódio surge em meio a uma onda global de críticas à gestão do aiatolá Ali Khamenei pela forma como lida com os levantes populares que pedem reformas no país.
Até o momento, as autoridades de Teerã não se manifestaram oficialmente sobre o caso reportado pelo IHRDC e repercutido por veículos internacionais como o Jerusalem Post.
Fonte: extra.globo.com
