Inaugurado em São Paulo 1º mercado cooperativo sem patrão, onde cliente também é dono e trabalhador

Gomo Coop, no Centro da capital paulista, funciona como cooperativa de consumo participativa: para comprar, é preciso virar cooperante, adquirindo uma cota de R$ 100, e cumprir três horas mensais de trabalho no mercado. Foto: Reprodução/Gomo Coop

Uma iniciativa pioneira no varejo paulistano promete transformar a relação entre consumo e trabalho. Inaugurada no início de janeiro na Rua Santa Isabel, no centro da capital, a Gomo Coop apresenta um modelo de "mercado sem patrão", funcionando como uma cooperativa de consumo participativa onde os clientes são, simultaneamente, donos e colaboradores.

Diferente dos supermercados convencionais, para abastecer a despensa na Gomo não basta apenas pagar pelos produtos. O projeto exige o engajamento direto dos seus membros em um sistema que busca eliminar intermediários e reduzir custos operacionais.

A adesão à cooperativa exige a compra de uma cota de R$ 100 e a dedicação de três horas mensais de serviço voluntário no local. Essas funções são vitais para o funcionamento do mercado e abrangem desde o atendimento no caixa e organização de prateleiras até a logística de estoque, limpeza e tarefas de gestão administrativa.

Esquema de funcionamento do mercado comunitário. Foto: Reprodução/Como Coop

Segundo os idealizadores, a meta é que, com o crescimento da comunidade, talentos específicos dos cooperados — como aulas de ioga ou consultorias técnicas — também possam ser contabilizados como horas de trabalho.

Foco em orgânicos e combate ao monopólio

A Gomo Coop nasce como uma alternativa à alta concentração do varejo alimentar brasileiro. Dados do setor indicam que a grande maioria das compras das famílias está concentrada em poucas multinacionais, o que reduz a diversidade de produtos.

"A ideia é devolver à comunidade a escolha sobre o que é vendido e comprado", explica o cooperante Rene Lima ao g1. O foco da prateleira está em alimentos orgânicos e agroecológicos fornecidos por pequenos produtores locais, como a Cooperapas (Zona Sul) e a Associação de Agricultores da Zona Leste.

Inspiração internacional e sustentabilidade financeira

O modelo paulistano não é um experimento isolado. Ele se inspira na bem-sucedida Park Slope Food Coop, no Brooklyn (EUA), que opera há mais de 50 anos, e na francesa La Louve.

A sustentabilidade financeira da Gomo Coop é fruto de uma estrutura de arrecadação multifacetada. O capital inicial contou com R$ 430 mil provenientes de aportes solidários de 32 fundadores — com reembolso corrigido apenas pela inflação —, além de R$ 100 mil captados via crowdfunding na plataforma Benfeitoria para a aquisição do primeiro estoque. Embora já some 700 cooperados, a meta de escala do projeto exige o alcance de milhares de novos membros para otimizar os custos e os preços finais.

"A gente vai comprar no atacado e dividir entre a gente. Estamos apenas continuando o que o cooperativismo sempre propôs", resume Marilia Risi, facilitadora-geral da cooperativa, em entrevista ao g1.

Fonte: g1.globo.com

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