Governo de Seul promove 3ª edição de concurso de soneca para combater estresse

Os requisitos para participar são usar roupas que lembrem uma bela adormecida ou um príncipe, estar cansado e de barriga cheia. Foto: Ahn Young-joon/AP/via G1

Em uma metrópole que raramente dorme, o silêncio tomou conta de um parque às margens do Rio Han neste sábado (02). Centenas de jovens sul-coreanos trocaram a agitação dos escritórios e das bibliotecas por máscaras de dormir e gramados, participando da terceira edição do "Concurso de Cochilo Revigorante". Com informações do G1.

O evento, promovido pelo Governo Metropolitano de Seul, busca oferecer um alívio cômico e necessário a uma população marcada pelo esgotamento físico. Para esta edição, a organização estabeleceu requisitos inusitados: os competidores deveriam trajar roupas que remetessem a contos de fadas ou animais conhecidos pelo sono pesado, além de chegarem devidamente alimentados e, claro, cansados.

País é conhecido por suas jornadas exaustivas de trabalho. Foto: Ahn Young-joon/AP/via G1

A competição transcorreu sob a sombra de uma estatística alarmante: a Coreia do Sul detém uma das piores médias de sono entre as nações da OCDE. No gramado, o cenário assemelhava-se a um "baile à fantasia da exaustão".

Entre os participantes, o estudante Park Jun-seok, de 20 anos, destacava-se em trajes de seda carmesim da Dinastia Joseon; ele confessou dormir apenas três ou quatro horas por noite para dar conta da jornada dupla entre estudos e trabalho. Já a professora Yoo Mi-yeon, de 24 anos, buscou refúgio em uma fantasia de coala. Lutando contra a insônia crônica, ela explicou que o traje era uma tentativa lúdica de "absorver a magia" do sono profundo característico do animal.

Participante fantasiada de Branca de Neve. Foto: Ahn Young-joon/AP/via G1

 O concurso não se resume apenas a fechar os olhos. A partir das 15h, após a distribuição de kits de sono, funcionários da prefeitura passaram a monitorar a frequência cardíaca dos participantes. O objetivo era identificar quem apresentava os batimentos mais estáveis, sinal técnico de um sono profundo e reparador.

​"Eu estava determinado a dormir para recarregar as energias completamente em meio à brisa do rio", celebrou Hwang Du-seong, de 37 anos, que conquistou o segundo lugar após uma rotina exaustiva de turnos noturnos.

Participante vestido de tubarão. Foto: Ahn Young-joon/AP/via G1

O grande vencedor da tarde foi um senhor na casa dos 80 anos, provando que a arte do descanso pode ser aprimorada com o tempo.

Embora o evento tenha um tom leve e festivo, ele joga luz sobre um problema estrutural. A competitividade acirrada e a cultura de trabalho 24 horas transformaram o sono em um artigo de luxo na Coreia do Sul. O festival do cochilo serve, portanto, como um protesto silencioso e um lembrete de que, mesmo na cidade dos cafés americanos gelados e shoppings ininterruptos, o corpo humano ainda exige o direito de parar.

O cartaz diz: "Não me acorde a menos que seja um príncipe." Foto: Ahn Young-joon/AP/via G1

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