![]() |
| Cerca de 100 profissionais participaram do transplante parcial de rosto que podem durar até 24 horas. Foto: Reprodução/Vall d'Hebron |
O Hospital Universitário Vall d’Hebron anunciou a realização do primeiro transplante parcial de rosto do mundo com uma doadora que havia solicitado a morte assistida. Antes do procedimento, a paciente decidiu doar seus órgãos, tecidos e também o rosto, em um gesto considerado de "extraordinário altruísmo" pela equipe médica.
A receptora, que sofreu necrose facial devido a uma infecção, recebeu um transplante tipo I (parte central do rosto). A cirurgia envolveu cerca de 100 profissionais de diversas especialidades, incluindo microcirurgia plástica, imunologia, anestesiologia, psiquiatria e reabilitação. O procedimento durou entre 15 e 24 horas e exigiu planejamento detalhado com uso de tecnologias 3D para garantir precisão milimétrica.
Este é o terceiro transplante facial realizado pelo Vall d’Hebron, que já havia feito o primeiro transplante completo do mundo em 2010 e outro em 2015, marcado como o primeiro em assistolia controlada. No total, apenas 54 transplantes faciais foram realizados globalmente, em cerca de 20 centros especializados.
![]() |
| A receptora recebeu o transplante da parte central do rosto. Foto: Reprodução/Vall d'Hebron |
Após a cirurgia, o paciente permaneceu um mês hospitalizado, com acompanhamento intensivo para controle de imunossupressores e prevenção de complicações. A reabilitação inclui exercícios para recuperar funções vitais como mastigação, fala e expressividade facial.
A diretora-geral da Organização Nacional de Transplantes (ONT), Beatriz Domínguez-Gil, destacou o caráter inovador e o esforço coletivo da equipe: "Este caso é motivo de orgulho para o hospital e para a sociedade, pela excelência técnica e pelo respeito demonstrado à doadora e sua família."

