"Novelinhas de frutas" que conquistaram o Brasil são chamados de satânicos e podem virar caso de polícia

Casca colorida e conteúdo ácido; apesar da aparência inocente especialistas alertam sobre influência em crianças. Foto: Reprodução/redes sociais

O cenário das redes sociais brasileiras foi tomado por uma tendência inusitada que, sob uma camada de cores vibrantes, esconde um debate complexo sobre segurança digital. As "novelinhas de frutas", protagonistas de vídeos curtos no TikTok e Instagram, utilizam personagens animados por Inteligência Artificial para encenar dramas dignos de novelas.

No entanto, o que aparenta ser um conteúdo inofensivo tem acendido um sinal de alerta. Especialistas criticam o contraste brutal entre a aparência lúdica das frutas e o teor das histórias, que frequentemente apresentam roteiros carregados de palavrões, comportamentos tóxicos e discursos preconceituosos.

O psicólogo Tiago Albuquerque destaca, ao G1, que a falta de um filtro crítico por parte do público jovem é o maior risco. Como crianças estão em fase de formação, elas podem absorver reações extremistas e agressivas como padrões normais de comportamento social, moldando negativamente sua visão de mundo.

O perigo é agravado pelo chamado "Brainrot Italiano". Segundo o delegado Paulo Mavignier, esse estilo de animação tem sido utilizado para sexualizar as figuras das frutas. Movimentos sensuais e poses provocantes em personagens que remetem a desenhos infantis criam uma visão distorcida de sexualidade para os menores.

Além das implicações éticas, o fenômeno já se consolidou como uma engrenagem financeira. Na plataforma Hotmart, cursos acessíveis ensinam a criação desses vídeos via prompts de IA, prometendo monetização em dólar. Esse apelo econômico fez com que o formato se espalhasse rapidamente como fonte de renda extra.

Propaganda promete ensinar a como criar sua própria novela das frutas. Foto: Reprodução/redes sociais

O engajamento massivo atraiu até grandes corporações e órgãos públicos. Marcas como Carrefour e Burger King, além de prefeituras e a Defensoria Pública do Amazonas, buscaram surfar na onda das frutas para interagir com o público, muitas vezes ignorando os problemas educacionais que cercam a origem dessas produções.

O incômodo gerado por esse conteúdo também alcançou a esfera religiosa. Líderes como o pastor Ednaldo do Manto viralizaram ao condenar as séries, afirmando que o entretenimento está sendo usado para quebrar princípios e viciar jovens em narrativas vazias e potencialmente destrutivas.

Diante da rapidez dessa disseminação, a recomendação de especialistas é a vigilância ativa. Enquanto o país discute legislações para o uso de redes por menores, o monitoramento minucioso do que as crianças assistem torna-se a única barreira eficaz contra conteúdos nocivos disfarçados de brincadeira.


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